Antes da nossa despedi em me lembro muito bem que havia te visto em meio a uma multidão de homens no barzinho do seu Zé, lhe deixei nas mãos um ponhado de cartas que você por orgulho as fez de picados gastos na lareira de sua casa. Imprestável, posso não ter escrito-a com as melhores intenções nem as melhores palavras, mas se conta que veio de profundo, lá do fundo mesmo. Mais tudo tem um por quê, talvez eu não conheça direito mesmo o idiota que tem o jeito mais fofo que conheci, talvez eu que seja a burra da história por ter acreditando tanto que todos aqueles motivos que você me dava para viver não passava de grandes mentiras. Acredito que agora sim, eu teria coragem de lhe dizer cara a cara o que sinto por ti, mas não me vale tanto a pena, aquelas tais de borboletas no estômago não passavam de pequenas ilusões. Lá naquelas cartas, estavam palavras vindas de mim, do fundo até, mais você por querer ser o ”machão” entre seus amigos escolheu joga-las na sua lareira para não ganhar a tal fama que outros receberam. Grandes idiotas, vocês acham que a vida são duas? Que todas as noites são feitas para viver sozinho? Que grandes abraços teriam que ser saciáveis? Não, não e não. Acredito que a vida seja para viver em grupos; melhor ainda em dupla. Que todas as noites terão que ser cada uma de uma maneira que grudasse na alma, na memória. Grandes abraços são saciáveis é verdade, mas não existe abraço melhor do que aquele que pode ser vindo de quem mais se espera, de quem mais um dia você esperou como nunca para sentir o mesmo várias vezes ao dia; admita, é monótono até, mas acima de tudo é gostoso. Eu tinha tanto para dizer, tanto nas palavras quanto em cada beijo que seria sentido levemente por nós. Minhas cartas podiam até ser as piores, as que menos podiam demostrar algo para você, mas para mim foi tudo do começo ao fim, do fim ao começo. Não me arrependo de ter gastado tantos dias e ficado noites em claro, amenizei a minha dor; tive litros de lágrimas derramadas em cima de folhas gastas que tive a obrigação de coloca-las no sol, mas aquilo em momento algum me deixou contrariada do que fazia. Tive minhas dúvidas de tudo que escrevi, de fundo do coração eu senti que estava sendo verdadeiras cada palavra que eu escrevi lá naquelas folhas, então sempre fui com fé e acreditei no meu amor por ti, pena que você não encherca da mesma maneira que eu, pena mesmo. Dizer algumas coisas é tão difícil, algumas coisas que vem de dentro sabe, aquelas que você espera o momento certo para dizer. E você de maneira alguma colaborou com o que eu disse só fez das minhas noites grandes desperdícios ridicularizados pela sua mente marxista. Estranhei de mim até, nunca me vi em um estado de necessidade ao extremo. Eu não gostava de nada e der repente me vi tão … apaixonada. Pena que agora você nunca me tendo me perdeu mais ainda e com a situação que vi meus rabiscos serem jogados que nem papéis de balinhas que acabaram de serem desenrolados, me vi mais enrolada do que muita balinha por aí. O segredo agora é que você nunca saberá que mesmo eu escondendo um pouco eu te amava muito mais do que muito amor que a gente ver pelas esquinas alheias, te amo mais do que os poetas e suas rimas. Agora te pergunto, você teria coragem de voltar naquele barzinho e pegar aquelas cartas? Teria coragem de ler até o fim, sem engolir nenhuma palavra? E iria me dizer o que as cartas dizem?
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O que as cartas dizem ? Carla F (via h-eavily) |